Como as emoções transformam o consumo e a importância das comunidades para o futuro das marcas.
À medida que o mundo avança na segunda metade da década, a compreensão do comportamento do consumidor ganha uma nova dimensão. É hora, antes de tudo, de prestar atenção nas emoções do consumidor e como elas interferem em suas escolhas.
O relatório Future Consumer 2027: Emotions da WGSN revela que as escolhas do consumidor terão como base emoções profundas e complexas, reforçadas por crises recentes como a pandemia, instabilidade política e problemas ambientais.
Olhar para essas emoções é fundamental para antecipar tendências e criar estratégias alinhadas ao novo contexto social.
Ficou interessado? Acompanhe esse artigo e saiba mais sobre o assunto.
Boa leitura!
As emoções do consumidor
Neste cenário, três emoções-chave se destacam por sua influência transformadora no comportamento dos indivíduos e suas relações com marcas. São elas:
- Strategic joy (alegria estratégica)
- Witherwill (vontade de esvaziar/desprender)
- Suspicious optimism (otimismo desconfiado).
Tais emoções representam as batalhas internas entre buscas por bem-estar, equilíbrio, significado e tecnologia, que coexistem com medo, ansiedade e incerteza diante do futuro.
Vamos agora entender um pouco sobre cada uma delas.
Strategic joy: a busca por leveza e propósito
A strategic joy, ou alegria estratégica, é uma resposta emocional consciente e intencional ao estresse, ao cansaço e à monotonia que os consumidores vêm enfrentando.
Nos próximos anos, a alegria deixa de ser um estado momentâneo e se torna um movimento estratégico. Consumidores buscam experiências e produtos que tragam leveza, criatividade, brincadeira e autodescoberta, elementos essenciais para o bem-estar emocional.
Marcas que produzam narrativas e experiências que conectem alegria com propósito terão maiores chances de engajamento e fidelização.
Assim, setores como moda, beleza, alimentos e bebidas, entretenimento, turismo e tecnologia terão que reinventar suas ofertas.
Por exemplo:
- Marcas de moda poderão apostar em coleções que incentivam a expressão individual e a experimentação lúdica.
- Empresas de alimentos e bebidas explorarão produtos que combinam saúde e prazer.
- O turismo deverá oferecer experiências inspiradoras e alegres, mesmo diante do caos externo.
Witherwill: redefinindo a vida em um momento de sobrecarga
O segundo pilar emocional, witherwill, traduz a exaustão emocional que leva ao desejo de se desprender das pressões, responsabilidades e excesso de estímulos que caracterizam a vida moderna hiperconectada. Essa emoção expressa uma busca por desaceleração, simplicidade e conexão autêntica.
As pessoas anseiam por mais qualidade de tempo e por relações profundas e verdadeiras, rejeitando o barulho constante do mundo digital. O consumidor reduz a exposição a notificações e estímulos eletrônicos para preservar a saúde mental.
Para as marcas será decisivo oferecer experiências que incentivem o “desplugue”, criem espaços para o cuidado pessoal e incentivem relacionamentos verdadeiros entre consumidores.
Setores como tecnologia, saúde, lifestyle, moda sustentável, turismo consciente e serviços de bem-estar e autocuidado serão especialmente impactados. As pessoas demandarão produtos, serviços e marcas que promovam equilíbrio, autenticidade e bem-estar.
Como resposta, veremos uma forte valorização de comunidades que promovem suporte emocional e o cultivo de rituais que trazem calma, como práticas de mindfulness, alimentação consciente e conexão com a natureza.
Suspicious Optimism: um olhar cauteloso mas esperançoso sobre a tecnologia
Com a evolução acelerada da tecnologia, principalmente da inteligência artificial, cresce um sentimento híbrido chamado suspicious optimism. Trata-se de uma mistura de fascínio e cautela, esperança e medo.
O consumidor, cercado por informações e inovações, ao lado da percepção dos riscos éticos, sociais e de privacidade, verá o potencial transformador das novas tecnologias.
Marcas e setores como tecnologia, mídia, finanças, saúde e varejo precisarão responder a isso investindo em transparência, ética e comunicação clara sobre os impactos e usos da tecnologia, especialmente no que diz respeito à privacidade e combate à desinformação.
É vital educar o consumidor para o uso consciente e seguro da tecnologia, ajudando-o a utilizar as ferramentas digitais. Isso também cria uma relação de confiança, que será fundamental para a adoção sustentável de inovações.
Comunidades: o pilar emocional e social
Em meio a essas emoções complexas, as comunidades emergem como um elemento central na experiência do consumidor e no posicionamento das marcas. Elas funcionam como refúgios emocionais, espaços para cura coletiva, apoio mútuo e um sentido de pertencimento que muitas pessoas sentem faltar em uma era marcada pelo individualismo e hiperconectividade superficial.
As comunidades cumprem diferentes papéis estratégicos nesta nova dinâmica emocional:
Apoio emocional e cura
Permitem que as pessoas enfrentem a solidão, o estresse e a fadiga acumulados, oferecendo redes estratégicas de suporte e trocas autênticas, num ambiente empático.
Para o consumidor, sentir-se parte de algo maior é um antídoto contra o esgotamento.
Ambientes digitais e presenciais menos tóxicos
Em resposta ao excesso de notificações e estímulos, as comunidades propiciam espaços mais tranquilos e significativos. Espaços onde o diálogo e a interação promovem calma e bem-estar, valores associados diretamente ao witherwill.
Fomento a socialização
Assim como cuidamos do corpo, cuidar das relações sociais e da saúde emocional coletiva torna-se estratégia para um estilo de vida equilibrado.
Comunidades ajudam a fortalecer vínculos reais que sustentam o indivíduo.
Engajamento genuíno das marcas
Para as empresas, construir e nutrir comunidades significa ir além da venda. Trata-se de criar relações de confiança, fidelidade e propósito coletivo.
Marcas que promovem esses laços emocionais ganham protagonismo e relevância sustentada no longo prazo.
Identidade e apoio cultural
Em tempos de instabilidade social, as comunidades reforçam a identidade cultural e oferecem sentido compartilhado e resiliência emocional frente às crises.
Assim, o desafio fundamental para as marcas é colaborar para a construção e cultivo dessas comunidades que exprimem os anseios emocionais atuais.
Concluindo…
Ao unir essas três emoções com o papel crescente das comunidades, vemos que o consumidor do futuro não é um agente isolado, mas alguém que vive em busca por alegria consciente, necessidade de desaceleração e um olhar ambivalente sobre a tecnologia. Ele deseja, acima de tudo, conexão, propósito e segurança emocional.
Para as marcas, o caminho passa por repensar seu papel e estratégias à luz deste novo paradigma. Não basta inovar tecnicamente ou criar produtos funcionais. É preciso envolver e criar experiências que dialoguem com as necessidades emocionais dos consumidores, reforçando o senso de pertencimento, cultivando alegria com significado e sendo um parceiro ético e transparente diante dos avanços tecnológicos.
Esta mudança traz oportunidades significativas de diferenciação, fidelização e longevidade no mercado. Setores como moda, beleza, tecnologia, alimentos, turismo e bem-estar, serão especialmente afetados, pois estarão no centro das dinâmicas emocionais.
Por fim, a construção de comunidades fortes, autênticas e inclusivas é o segredo para que marcas e consumidores naveguem juntos as águas incertas do futuro, criando um ecossistema de consumo mais humano, saudável e sustentável.
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